Com 50 polos e mais de três mil atrações, festa gerou 60 mil empregos temporários e foi aprovada por 99% dos foliões; rede hoteleira registrou 97% de ocupação e o movimento no aeroporto chegou a mais de 500 mil passageiros, com 150 voos extras; mais de 10 mil servidores municipais trabalharam para garantir a organização e o sucesso da festa
Em seis dias de programação plural e intensa, o Recife fez mais um Carnaval para nunca mais ser esquecido. Com planejamento e organização, o evento reuniu mais de 3,7 milhões de pessoas e injetou R$ 2,8 bilhões na economia, gerando 60 mil empregos temporários. E o resultado foi sentido nas ruas: 99% dos foliões aprovaram a experiência momesca oferecida pela cidade. O Carnaval só trouxe mais público e fez mais dinheiro girar na economia porque entregou organização, cuidado e respeito com quem foi cair na folia e com quem trabalhou na festa. Chamando até o futuro pra brincar, a folia recifense espalhou, pelas ruas e em cima dos palcos dos 50 polos montados em toda a cidade, mais de três mil atrações, em apresentações e shows, desfiles e cortejos dos mais variados gêneros, tradições e importâncias. Mais de 10 mil servidores municipais trabalharam para garantir o sucesso da festa.
Em coletiva realizada nesta Quarta-feira de Cinzas (18), o prefeito do Recife, João Campos, apresentou o balanço oficial da festa, acompanhado do vice-prefeito, Victor Marques, e de secretários municipais. Ao destacar os resultados do Carnaval 2026, o gestor recifense ressaltou os números históricos alcançados pela cidade. “O Carnaval do Recife nunca decepciona, mas sempre surpreende. Tivemos recorde de público, recorde de movimentação econômica, recorde de ocupação hoteleira. Foram 3,7 milhões de foliões ao longo dos dias de festa e mais de R$ 2,8 bilhões injetados na economia”, afirmou.
João Campos também destacou o alto índice de satisfação do público. “Nas nossas pesquisas, 99% de aprovação e mais de 98% dos foliões disseram que querem voltar ao Carnaval do Recife”, pontuou o prefeito do Recife. O gestor ressaltou ainda os novos serviços implantados na festa. “A nova Arena Gastronômica, a nova Central do Artesanato, o novo Polo do Samba e a ampliação da Praça do Arsenal foram um verdadeiro sucesso. A praça ficou mais organizada, mais ampla e mais confortável para o folião”.
O Carnaval Recife do Futuro gerou 97% de ocupação da rede hoteleira, com mais de 150 voos extras e um total de 502.205 passageiros no aeroporto. Celebrando a tecnologia ancestral da alegria e das manifestações que nos confirmam um povo cheio de passado e de presente, de luta e esperança, a festa fez questão de confirmar o protagonismo de agremiações e artistas da cultura popular, que ganharam este ano mais uma passarela: o Circuito Leda Alves, que iniciou seus desfiles ainda em janeiro, abrindo alas para agremiações de todas as modalidades pelas ruas do Bairro do Recife nas sextas, sábados e domingos, saindo do Cais da Alfândega e desembocando na Praça do Arsenal, tendo a Rio Branco e a Bom Jesus como eixos centrais.
O vice-prefeito Victor Marques destacou o planejamento e o trabalho técnico que garantiram a execução da festa. “Um Carnaval desse tamanho, para tanta gente, não cabe improviso. Cada contrato, cada serviço, cada detalhe é acompanhado com rigor. É um trabalho permanente de planejamento”, afirmou. Ele também ressaltou o sentimento nas ruas. “A gente percorreu a cidade inteira e o sentimento era de satisfação. Se 2026 foi muito bom, 2027 será ainda melhor porque as pessoas confiam no trabalho que está sendo feito.”
Nas ruas, passarelas e palcos recifenses de Momo, os artistas e brincantes pernambucanos foram nada menos que 98% das mais de 3 mil atrações que encontraram e embalaram as plateias foliãs. Ao todo, mais de 250 blocos, troças, bois, ursos, caboclinhos, afoxés e maracatus participaram dos cortejos, que chamaram até a vizinhança para pular Carnaval no Recife, recebendo o reforço luxuoso de grandes blocos carnavalescos da região metropolitana, como o Eu Acho é Pouco, Ceroula, Pitombeira, Cariri Olindense e Homem da Meia Noite.
A secretária de Cultura, Milu Megale, destacou a descentralização da festa e o fortalecimento da cultura popular. “Circulamos com 3,7 milhões de foliões pela cidade. Tivemos polos em todas as regiões, levando conforto para quem não queria se deslocar ao Centro. Essa descentralização veio para ficar”, afirmou. Ela também ressaltou o protagonismo da cultura local. “Foram mais de 3 mil apresentações, sendo 98% de atrações locais. Criamos o Circuito Leda Alves da Cultura Popular ainda em janeiro, fortalecendo as prévias e trazendo blocos tradicionais de volta ao Centro.”
OPERAÇÕES - O clima de tranquilidade nos principais focos, com baixo registro de ocorrências, foi em grande parte fruto da atuação, pelo terceiro ano consecutivo, do Centro de Operações do Recife (COP), que funcionou presencialmente numa sala no Marco Zero, onde 16 órgãos e secretarias da gestão municipal, além de entidades parceiras, estiveram, todos os dias, coordenando e atuando na resolução de ocorrências e demais serviços oferecidos à população em tempo real. Foram usadas 498 câmeras de monitoramento, que compartilhavam as imagens com as forças de segurança.
O chefe do COP, Anderson Soares, destacou as inovações implantadas. “Com 99% de aprovação, melhorar o Carnaval do Recife é sempre um desafio. Este ano fomos ousados”, afirmou. Entre as novidades, ele citou a nova Arena Gastronômica no Armazém 14 e a mudança da Central do Artesanato. “Levamos os equipamentos para uma área mais ampla e estratégica, garantindo mais conforto, mobilidade e organização para os foliões.”
NOVIDADES - Pela primeira vez, houve 46 banheiros femininos e 8 para famílias e/ou pessoas com deficiência na Avenida Rio Branco. Também de forma pioneira, os foliões que utilizarem os estacionamentos situados no edifício-sede da Prefeitura do Recife, do Tribunal Regional Federal e do Tribunal Regional do Trabalho, no Cais do Apolo, puderam doar alimentos não perecíveis. As mais de 3 toneladas de alimentos arrecadados serão destinados a 22 instituições parceiras, beneficiando mais de 29 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social. Todas as doações vão para o Banco de Alimentos do Recife, onde serão triados e disponibilizado para as organizações cadastradas junto ao município.
A Prefeitura criou o PIT STOP Fica de Boa, localizado na Avenida Alfredo Lisboa, que funcionou como um ambiente de acolhimento e descompressão, voltado ao cuidado temporário de pessoas que apresentem mal-estar físico ou emocional associado ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas. O Palco do Samba, que funcionava na Rua da Moeda, ganhou mais destaque e estreou no espaço do antigo Parador.
CULTURA POPULAR - As agremiações da cultura popular, como o patrimônio vivo do Recife Pierrot de São José, o Bloco da Saudade, o Abanadores do Arruda, o Caboclinho Tupinambá, a Escola Gigante do Samba, o Maracatu Piaba de Ouro, o Afoxé Oxum Pandá e o homenageado Madeira do Rosarinho, entre muitos outros, apresentaram-se em todos os polos de cidade, desfilaram suas tradições no também tradicional Concurso de Agremiações, com 332 brinquedos e milhares de brincantes inscritos, sem falar na passarela Recife Matriz de Cultura Popular, que abriu a programação de todos os dias do Marco Zero, maior palco da festa.
Aliás, maior palco de todos os tempos e carnavais, com 70m de comprimento na fachada e inéditos 18,5m de altura, com moldura toda coberta por painéis de LED, também dispostos na cenografia e na moldura do palco em quantidade recorde, 30% maior que no ano passado. Maiores que o palco, só as histórias que ele deixou para a posteridade carnavalesca recifense, emoldurando shows que já entraram para o imaginário dos mais comentados em linha reta, como a apresentação de Liniker, com direito às participações de Priscila Senna, Amaro Freitas e diversos brincantes da cultura popular, além do apoteótico desfile da boneca gigante da cantora. Teve ainda a estreia de Alok, com efeitos pirotécnicos no palco e espetáculo garantido até no céu, com fogos e a surpreendente coreografia de mais de 200 drones.
Teve também o brega voando alto, na tirolesa e no palco de Neiff e nas apresentações de Priscila Senna, Raphaela Santos e Recife Capital do Brega. Teve ainda o show cheio de sucessos e encontros, abraços e emoções do homenageado Lenine, o samba investido de toda a sua força e sacralidade, nas vozes de artistas daqui e de fora, como Mariene de Castro e Karynna Spinelli; o Dominguinho aclamadíssimo de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê. Teve Iza e teve Vanessa da Mata, teve Seu Jorge e Sorriso Maroto. Mas o que mais teve foi Pernambuco, traduzido à perfeição nos acordes e vozes da Ademir Araújo e a Orquestra Popular do Recife, Maestro Forró e sua Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Martins, Almério, Flaira Ferro, Gabi do Carmo, Leide do Banjo, Joyce Alane, Spok, Bongar, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, entre muitos outros.
Além de desfilar e confirmar tradições como o Ubuntu, cortejo liderado pela também homenageada Dona Carmem, abrindo alas e lavando as ruas da festa com as águas de Oxalá, e o Tumaraca, que congrega o baque de 500 integrantes de 13 nações diferentes no Marco Zero, o Carnaval do futuro lançou e aclamou novidades como as novas localizações do Polo do Samba, que saiu da Rua da Moeda e foi para a cabeceira da Ponte Giratória, com programação caprichada e muito prestigiada da sexta-feira (13) até ontem, além da Arena Gastronômica e da Central de Serviços, que migraram do Arsenal para o Armazém 14 e o Mirante do Paço, respectivamente, com o objetivo de garantir mais conforto e mobilidade aos foliões.
No Carnaval do futuro, os pequenos foliões ganharam o reforço de um polo novo, no Parque Eduardo Campos, que se somou a outros seis polos - parques da Tamarineira, Macaxeira, Santana, Jaqueira e Dona Lindu e Cais da Aurora - para convidar o Recife a germinar a folia nas próximas gerações. A festa, que começou em meados de janeiro, com os tradicionais concursos carnavalescos, acertou a marcha dos blocos líricos, elegeu seu Rei e sua Rainha do Carnaval, realizou uma edição histórica do Baile Municipal, comemorando 60 edições da festa, lotou a Aurora para receber o Bicho Maluco Beleza de Alceu, fez o Recife pulsar e pular até poucas horas atrás, quando o Orquestrão comandado por Spok raiou a quarta-feira ingrata, depois de uma terça gorda de acordes e alegrias.

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