sábado, 19 de janeiro de 2019

PSDB: Dois nomes na disputa pelo comando do partido

PSDB Mulher lança o nome da ex-governadora para comandar o diretório da sigla
Yeda Crusius

A ex-governadora Yeda Crusius (PSDB, 2007-2010), hoje deputada federal, pretende concorrer à presidência nacional do partido. A decisão foi tomada depois que lideranças do PSDB Mulher, segmento partidário presidido por Yeda, lançaram um manifesto em apoio à candidatura dela. Entre as mulheres que subscrevem o nome de Yeda, estão a senadora eleita Mara Gabrilli (PSDB-SP) e outras deputadas federais eleitas e reeleitas. 

Aliás, o desempenho das candidatas tucanas nas eleições de 2018 foi expressivo. As mulheres, que representam quase 50% dos filiados do PSDB, aumentaram sua representação no Congresso Nacional em 60% (passou de cinco para oito) e, nas Assembleias Legislativas, em 30%. Sob esse aspecto, mencionam as apoiadoras manifesto, a eleição de Yeda para a presidência do PSDB "estaria em sintonia com o resultado das urnas". No total, o PSDB diminuiu sua bancada na Câmara dos Deputados de 49 para 29 deputados. 

A ex-governadora foi uma das responsáveis pela ampliação das cadeiras femininas nos legislativos. Ela foi uma das defensoras da resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) que obrigou os partidos não só a lançarem 30% de candidatas mulheres, mas também a destinar o mesmo percentual de recursos do fundo partidário e eleitoral para a campanha delas. Em reuniões com a então presidente do STF, ministra Rosa Weber, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu também a importância do financiamento de candidatas a vice e suplentes.  

"O desafio é unir o PSDB nacional", projetou Yeda. O manifesto das tucanas corrobora o objetivo: "Pela sua história de vida, seu bom trânsito entre diversas correntes do partido e sua inquestionável fidelidade partidária, Yeda Crusius é a pessoa mais adequada para reconstruir e pacificar o PSDB". 

Depois das eleições, o racha dentro da legenda ficou nítido: de um lado, uma ala liderada pelo governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), defende o ingresso no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL); de outro, a ala liderada pelo candidato derrotado à presidência da República, Geraldo Alckmin, quer que a sigla se mantenha independente. 

O ex-governador de São Paulo Alckmin é o atual presidente nacional da sigla e deve se manter no cargo até maio de 2019. O PSDB Mulher se reuniu com ele nesta semana e também sustentou a independência em relação à gestão Bolsonaro. Yeda tem uma relação próxima com o ex-governador de São Paulo. 

Para a ex-governadora, a unidade partidária é decisiva no êxito eleitoral. Ela cita o exemplo do diretório gaúcho. Em 2015, o então presidente nacional da sigla, Aécio Neves (PSDB), interveio na instância estadual da legenda, designando o prefeito Nelson Marchezan Júnior para dirigir os tucanos. 

Isso gerou um racha entre os apoiadores de Marchezan e os que defendiam uma eleição para a presidência estadual. Segundo Yeda, essa situação só foi superada quando o governador eleito Eduardo Leite (PSDB) unificou a sigla, em torno da sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. 

Para apaziguar os conflitos no diretório nacional, as tucanas acreditam que "o nome de Yeda reúne todas as condições para dirigir o partido neste momento em que a população exige mudanças e também sensibilidade para responder as aspirações do conjunto da sociedade". O congresso do PSDB começa em março de 2019, quando ocorrem o ciclo de reuniões nos municípios. Em abril, serão realizados os eventos nos estados. E, por fim, em maio, acontece o encontro nacional. 

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Bruno Araújo

A derrota de Geraldo Alckmin na corrida pela Presidência da República aliada à eleição de João Doria para o Governo de São Paulo pode acelerar mudanças internas no ninho tucano. Uma das hipóteses que já vem sendo ventilada nos bastidores é a realização de eleição para o comando nacional da sigla. 

Hoje, o PSDB é presidido por Alckmin e alguns já defendem que tirar o controle do partido de São Paulo seria uma alternativa para distensionar o clima internamente. Com o racha estabelecido naquele Estado, atender, via acordo pela presidência, todos os lados envolvidos seria um desafio. 

Há diversas correntes no tucanato paulista, o que levaria algumas a saírem arranhadas. Sair de São Paulo, então, seria uma das soluções internas visando a reduzir o calor da disputa. O nome de Bruno é visto como opção que circula em todas as correntes do PSDB nacional, em todos os estados. 

De outro lado, dado o cenário de terra arrasada que se instalou na sigla, após a corrida presidencial, a legenda precisará de dedicação “full time”. A pessoas próximas, Bruno já havia sinalizado não ter interesse em ocupar cargo no Governo Federal no curto prazo. Como a coluna registara, ele instalou escritório em Brasília para exercer a advocacia. 

Essa condição de manter-se fora de um governo Jair Bolsonaro contemplaria essa necessidade de dedicação integral para uma reorganização da legenda. Bruno tem trânsito tanto no grupo de Geraldo Alckmin e no de João Doria. Chegou a acompanhar a apuração ao lado do governador recém-eleito de São Paulo no último domingo. 

Em entrevista, Doria realçou a presença do pernambucano na ocasião. Após o primeiro turno, uma discussão, em reunião reservada, levou Alckmin a sugerir que Doria o havia traído. "Traidor eu não sou", disparou o ex-governador de São Paulo. Após o segundo turno, Doria registrou não ter recebido telefonemas nem de Fernando Henrique Cardoso, nem de Alckmin. A temperatura interna anda elevada. E Pernambuco pode ser variável relevante nessa equação que envolve a redução de arestas internas

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