Os números ganham dimensão pelo tamanho dos municípios. Santa Cruz tem cerca de 14 mil habitantes e Santa Filomena, pouco mais de 12 mil.
Em Santa Cruz, a folha de julho de 2026 registrava 1.134 pessoas, sendo 576 comissionados, mais da metade do quadro. A remuneração destinada a eles somou R$ 1,25 milhão. Atualmente, o município é administrado pelo prefeito Cachoeira, mas a política local tem forte influência de Eliane Soares, que comandou a prefeitura por vários anos e hoje é candidata a deputada federal pelo PSB.
Já Santa Filomena é administrada por Pedro Gildevan, que está em seu quinto mandato. Com 451 cargos comissionados, o município apresenta um dos maiores percentuais do levantamento.
Os números não permitem afirmar irregularidades, mas levantam uma questão sobre o tamanho das estruturas administrativas em cidades pequenas e o impacto dessa folha sobre os recursos públicos. Também colocam em debate as escolhas feitas por gestores e lideranças que, ao longo dos anos, ajudaram a construir esses modelos de administração.
A pergunta é direta: para municípios desse porte, é justificável manter estruturas tão grandes de cargos comissionados? Existem leis municipais que autorizam uma quantidade de cargos comissionados dessa proporção e qual é a justificativa administrativa para uma estrutura desse tamanho?
Os cargos, funções e nomes das pessoas que ocupam essas posições podem ser consultados no Portal do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), permitindo que a própria população acompanhe a composição das administrações municipais.

0 Comentários