Alerta para o Ceratocone: diagnóstico precoce pode preservar a visão e qualidade de vida


 Campanha de conscientização reforça importância de buscar acompanhamento oftalmológico diante de alterações frequentes no grau dos óculos

O mês de junho é marcado pela campanha “Junho Violeta”, iniciativa voltada à conscientização sobre o ceratocone, doença ocular progressiva que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, e pode comprometer significativamente a qualidade visual quando não identificada precocemente. Criada em 2018, a campanha busca ampliar o acesso à informação sobre sintomas, prevenção e possibilidades de tratamento da condição.

Segundo Dra. Manuela Tenório, médica oftalmologista do Hospital Santa Luzia, um dos sinais mais comuns é a mudança frequente do grau dos óculos. “É muito comum que o paciente procure atendimento relatando dificuldade progressiva para enxergar, dificuldade com telas ou dirigir a noite, além da troca constante de grau”, explica.

O ceratocone provoca afinamento e deformação progressiva da córnea, que passa a assumir um formato semelhante a um cone, causando distorções visuais, aumento do astigmatismo e dificuldade de foco. Embora possa surgir em qualquer idade, costuma aparecer principalmente ao fim da infância e início da adolescência, período em que frequentemente ocorre evolução da doença.

Além da visão borrada, o ceratocone pode causar sensibilidade à luz, irritação ocular, dificuldade para enxergar à noite, imagens duplicadas e desconforto visual persistente. Em fases iniciais, entretanto, a doença pode ser silenciosa, tornando ainda mais importante a realização de exames oftalmológicos de rotina.
Diagnóstico precoce ajuda a evitar progressão

O diagnóstico costuma ser realizado durante consulta oftalmológica associada a exames específicos da córnea, como topografia e tomografia corneana, que permitem identificar alterações estruturais ainda nas fases iniciais da doença. A detecção precoce é considerada essencial para impedir agravamentos importantes e ampliar as possibilidades terapêuticas.

“O diagnóstico precoce faz diferença porque conseguimos acompanhar a evolução da doença e indicar tratamentos antes de uma perda visual mais significativa”, afirma a oftalmologista.

Um dos fatores mais associados à progressão do ceratocone é o hábito frequente de coçar os olhos, especialmente em pessoas com alergias oculares, rinite ou predisposição genética. Especialistas alertam que esse comportamento pode acelerar a deformação da córnea. No Brasil, estimativas apontam que cerca de 150 mil pessoas convivam com a doença.

Tratamentos variam conforme estágio do ceratocone

O tratamento depende do grau de comprometimento visual e da evolução clínica. Em estágios iniciais, óculos e lentes especiais podem ajudar na correção da visão. Em casos progressivos, um procedimento que fortalece a estrutura da córnea pode ser indicado para reduzir a progressão da doença. Já pacientes com maior comprometimento podem necessitar de implante de anel intracorneano ou, em situações mais graves, transplante de córnea.

“Hoje existem opções terapêuticas que permitem estabilizar muitos casos e preservar a qualidade de vida do paciente. O mais importante é não esperar a visão piorar para procurar avaliação”, reforça a especialista. Além do impacto clínico, o ceratocone pode afetar diretamente atividades cotidianas, como estudar, trabalhar, dirigir, ler e utilizar dispositivos eletrônicos, especialmente quando não há correção visual adequada. Relatos de pacientes mostram dificuldades relacionadas à leitura prolongada, desconforto visual e limitação funcional em tarefas simples do dia a dia.

Durante o Junho Violeta, o alerta dos especialistas indica perceber alterações frequentes na visão, evitar coçar os olhos e manter consultas oftalmológicas regulares. Isso pode ser decisivo para preservar a saúde ocular e reduzir os impactos do ceratocone ao longo da vida.

Postar um comentário

0 Comentários