Encontro destaca papel estratégico da ferrovia para integrar cadeias produtivas e ampliar a competitividade do Nordeste
Recife (PE) - Em meio à repercussão da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que suspendeu novos compromissos financeiros para o trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, reuniu-se com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, para alinhar estratégias institucionais em defesa da retomada da obra. O diretor de Planejamento da Sudene, Álvaro Ribeiro, também participou do encontro.
A medida do TCU, anunciada na última semana, condiciona a continuidade dos investimentos à apresentação de estudos atualizados de viabilidade técnica, econômica e ambiental para o trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape. A Corte apontou lacunas no planejamento e determinou a suspensão de novos aportes até que essas inconsistências sejam sanadas.
Durante a reunião, ficou definido o reforço da articulação institucional com o objetivo de contribuir tecnicamente para a superação dos entraves apontados pelo TCU. A estratégia passa, por exemplo, pela consolidação de dados atualizados que evidenciem o retorno socioeconômico do empreendimento e sustentem a retomada dos investimentos. Além disso, destacou-se a importância da mobilização de todos os setores da sociedade pernambucana em defesa do projeto.
Sudene e Fiepe convergem no entendimento de que a ferrovia é um ativo estratégico para Pernambuco e para o Nordeste. Francisco Alexandre reiterou que a Autarquia acompanha de perto a decisão e já atua na produção de estudos técnicos que comprovem a viabilidade do empreendimento, destacando o impacto esperado na geração de emprego, renda e integração logística regional.
“O trecho Salgueiro–Suape é estruturante para a economia regional, sobretudo por conectar áreas produtivas do interior aos portos e ampliar a competitividade do Nordeste”, afirmou Francisco Alexandre, acrescentando que, nos dados levantados pela Sudene, a ferrovia se paga.
Representando o setor industrial, Bruno Veloso reforçou que a ferrovia é essencial para a redução de custos logísticos e para a expansão das cadeias produtivas no estado. Estudos apoiados pela Fiepe indicam que a Transnordestina pode impulsionar polos estratégicos como o gesseiro do Araripe, o de confecções do Agreste e o complexo industrial de Suape, além de estimular novos investimentos privados e a integração multimodal.
A avaliação compartilhada pelas duas instituições é que a paralisação prolongada do projeto - iniciado há mais de uma década - compromete a competitividade regional. O trecho pernambucano, com cerca de 540 km previstos, é considerado fundamental para completar o traçado original da ferrovia, que liga o interior do Nordeste aos principais portos da Região. Desse total, 179 km já estão construídos. A Infra S.A. homologou a licitação para a construção do trecho da ferrovia entre Custódia e Arcoverde, de 73 km de extensão.

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