Álvaro Porto rechaça investigação sobre sua vida pessoal pela SDS e pede providências

Foto: Peu Ricardo

Reportagem do portal Brasil 247 revelou existência de relatório produzido pela secretaria sobre o presidente da Alepe 

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (MDB), rechaçou, em discurso proferido no plenário, nesta segunda-feira (18.05), a existência de um relatório produzido pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) associando seu nome a um suposto “ambiente de risco” enfrentado pelo jornalista Manoel Medeiros, ex-assessor da governadora Raquel Lyra (PSD). A informação foi divulgada em reportagens pelo portal Brasil 247, nesta segunda. 

O deputado frisou que a investigação adentra em questões de natureza pessoal e sobre a sua intimidade. “Tudo indica que se trata de uma investigação sem amparo legal. Não sei se houve decisão judicial para tal procedimento”, disse.

Porto afirmou que a governadora precisa informar qual a providência vai tomar e esclarecer se a ordem partiu do seu gabinete.

“Esta explicação precisa ser dada ao povo pernambucano. Governadora, a senhora tem que tomar uma providência. Tem que ver a arbitrariedade do secretário de Defesa Social no curso dessas investigações que passam pela minha vida. Quero eu acreditar que o seu governo não seja conivente com isso que está acontecendo”, salientou.

“Se foi o secretário de Defesa Social que adotou esse procedimento, quem autorizou o secretário de Defesa Social a proceder dessa forma? Isso precisa ser urgentemente esclarecido”,  completou. 

Segundo a reportagem, chama atenção o nível de aprofundamento das informações levantadas pela inteligência da SDS sobre Álvaro Porto. O relatório informa que o deputado possui cinco armas de fogo registradas: “3 (três) pistolas, 1 (uma) espingarda e 1 (um) revolver”. A inteligência da SDS, de acordo com a matéria, também listou ocorrências policiais e ações judiciais envolvendo o presidente da Alepe. O documento, ainda conforme o portal 247, tem data de 1º de abril de 2026 e foi elaborado pelo Centro Integrado de Inteligência de Defesa Social (CIIDS), a pedido do secretário. 

Porto disse ser relevante considerar que a investigação atinge o presidente de um poder, o terceiro na hierarquia do Estado. “Se estou sendo vítima de um procedimento desta natureza, imagina quem não tem essas prerrogativas”, alertou.

Dirigindo-se aos deputados, ele destacou que não sabe quais as ações vai adotar, mas deixou claro que todas as providências serão na defesa da Assembleia, das prerrogativas da atividade legislativa e da defesa de cada um dos parlamentares. “Vou agi como eu sempre procedi desde o primeiro momento em que assumi a presidência, por delegação de vossas excelências”, assinalou. 

“Estou estarrecido, como presidente de um poder, como deputado, mas acima de tudo, como cidadão, ao nos depararmos com o uso do aparelho policial para fins que, ao nosso sentir, não se coadunam com o estado democrático de direito, com as liberdades individuais, tudo em completa desrespeito com aquilo que é preconizado na nossa Carta Magna”, disse. 

Por fim, o deputado reafirmou seu compromisso na defesa intransigente da independência da Assembleia e das prerrogativas legislativas. “Não me intimidarei, não abdicarei em nenhum momento em agir como devemos diante de situações tão graves”. 

Solidariedade - Álvaro Porto foi aparteado pelos deputados Sileno Guedes (PSB), líder da oposição, Rodrigo Farias (PSB), Mário Ricardo (Republicanos), João Paulo Lima (PT) e Alberto Feitosa (PL). Os discursos externaram indignação e solidariedade ao presidente da Alepe. 

Sileno disse que o fato causa espanto pela recorrência. Lembrou de episódios similares envolvendo a Casa Militar, em 2023; a deputada estadual Dani Portela (PT), investigada em 2025; e um secretário da prefeitura do Recife, monitorado e investigado pela Polícia Civil, em 2025, sem autorização judicial. “Nos deparamos novamente, com a mesma prática, agora contra o presidente da Assembleia. Isso nos causa perplexidade e indignação”, disse. 

Os deputados alertaram para os riscos que a prática adotada pela SDS pode acarretar à Alepe, principalmente em ano de disputa eleitoral. Citaram a possibilidade de perseguição, intimidação e constrangimento gerados por uma “polícia política”, configurando abuso de poder e desrespeito à democracia e à Constituição. João Paulo reforçou a necessidade de se esclarecer e investigar os fatos. “Não podemos ter tolerância nenhuma ao uso do Estado. Se verdadeiramente ocorreu, os responsáveis têm que responder por sua ação”, frisou. 

Postar um comentário

0 Comentários