terça-feira, 26 de março de 2019

Operação contra fraude em licitação e corrupção afasta secretário de Camaragibe, no Grande Recife

Prefeitura de Camaragibe é um dos alvos da Operação Harpalo, desencadeada nesta terça-feira (26) — Foto: Mônica Silveira/TV Globo
A Polícia Civil desencadeou, nesta terça-feira (26), a Operação Harpalo, que investiga a prática dos crimes de fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro. Um dos locais em que os policiais cumprem mandados é a Prefeitura de Camaragibe, no Grande Recife. Durante a operação, o secretário de Infraestrutura de Camaragibe, Silvano Queiroz, foi afastado cautelarmente.

"Tudo gira em torno do prefeito [Demóstenes Meira, PTB] e da gestão dele. Apreendemos carros de luxo e diversos documentos. A investigação ganhou maior capilaridade hoje, com essas buscas", diz o delegado Jean Rockfeller. Além de Camaragibe, foram cumpridos mandados em São Lourenço da Mata, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Gravatá e Natal.

Ao todo, foram emitidos 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, duas medidas protetivas, duas suspensões de atividades empresariais e um afastamento cautelar pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Por volta das 7h, policiais civis faziam uma varredura no edifício sede da prefeitura de Camaragibe. Funcionários que começariam o expediente às 7h30 ficaram do lado de fora do prédio, mas entraram por volta das 8h, com a saída de policiais do prédio.

As investigações começaram em dezembro de 2018. Os materiais apreendidos são encaminhadas para a sede do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), no bairro de Tejipió, no Recife.

Ao todo, 90 policiais foram escalados para a operação desta terça, além de dois auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Camaragibe e aguarda resposta.

No dia 17 de fevereiro, o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira, divulgou mensagens de voz pelas redes sociais e WhatsApp, convocando os servidores comissionados para participar o desfile do bloco Canário Elétrico, no Centro de Camaragibe. Na mensagem, ele pede a presença dos servidores no show da noiva dele, a cantora e secretária de assistência social Taty Dantas. (Ouça áudio acima)

O desfile do bloco foi organizado pelo secretário de Educação Denivaldo Freire. A contratação de Taty Dantas, segundo o secretário, ocorreu a partir de um pedido do prefeito Demóstenes Meira.

Nas mensagens, Meira afirmou que filmaria o evento para saber quantos comissionados compareceriam, de fato, para prestigiar Taty Dantas. Pouco antes do desfile do bloco, o prefeito confirmou que fez a convocação dos servidores e justificou que “era preciso apoiar a noiva”.

A atitude de Meira provocou a reação da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE). O presidente da entidade, Bruno Baptista, conversou com a TV Globo no dia do desfile do bloco e afirmou que o conteúdo das gravações era muito grave.

O áudio também motivou Ministério Púbico de Pernambuco a abrir procedimentos para investigar o prefeito de Camaragibe. Os vereadores do município abriram um processo de impeachment contra Meira.

Em 19 de fevereiro, o MPPE informou que ingressou com uma ação civil pública contra o prefeito No mesmo dia, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) impediu a prefeitura de repassar verbas públicas a atrações do carnaval em 2019.

A ação civil pública também traz como réus a cantora Taty Dantas e o secretário municipal de Educação, Denivaldo Freire Bastos.

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