segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Perguntas e respostas do advogado Antonio Campos sobre Pernambuco e o Brasil

O advogado Antônio Campos, pré-candidato a senador pelo Podemos, enviou aos órgãos de imprensa de Pernambuco nesta sexta-feira (29) essas perguntas e respostas, formuladas por ele próprio, sobre a conjunta política regional e nacional.
Confira:
Acredita numa campanha nacional polarizada ou fragmentada em 2018?
Campos – Essa polarização inicial vai se diluir ao longo do tempo e o povo brasileiro vai fazer uma reflexão e encontrar uma candidatura do centro democrático que possa servir ao Brasil. Álvaro Dias é o candidato que tem demonstrado ter a melhor proposta e posicionamento para esse novo tempo, entre as muitas pré-candidaturas já postas, atacando as reais causas da crise que está em um sistema viciado, mais do que em questões pontuais. Fala-se muito na reforma da previdência, mas se esconde o problema central da dívida pública que precisa ser enfrentada com inteligência e determinação, que o TCU está auditando, tendo como origem um pedido do senador paranaense. Precisamos refundar a República Brasileira, o formato do Estado brasileiro, fortalecendo a democracia representativa, que vive uma crise no mundo e também aqui, que está ameaçada pelos extremos.
Acredita que o ex-presidente Lula deveria ser candidato em 2018?
Campos – O ex-presidente Lula tem realizações em Pernambuco e fez avanços sociais, mas também cometeu graves erros. O povo brasileiro deveria julgá-lo nas eleições, sendo oportunizado o direito dele concorrer, virando a página da nossa história. A alta rejeição de Lula demonstra que ele é um candidato passível de ser derrotado eleitoralmente. Ele agora está preso a uma candidatura, por força das circunstâncias, mas sua candidatura divide e não une o Brasil. Deixa o povo resolver nas urnas.
Acha que a tese da situação, em Pernambuco, de querer rotular a oposição do palanque de Temer vingará?
Campos – Acho que a oposição terá mais de uma candidatura em 2018. O Governador Paulo Câmara, que apoiou o impeachment de Dilma, tornando Temer presidente, teve uma posição dúbia, até recentemente, em relação ao seu governo, o que também será explorado pela oposição em um ano que se espera uma melhoria na economia, o que dificultará esse discurso. Armando Monteiro Neto, Mendonça Filho e Fernando Bezerra Coelho são nomes competitivos e experientes para liderar uma ou duas chapas majoritárias. Marília pode vir a ser candidata pelo PT e a Rede, o PSOL e Bolsonaro poderão lançar candidaturas ao governo, o que levará a termos um cenário fragmentado com um provável segundo turno em Pernambuco.
Qual é o projeto do Podemos em Pernambuco?
Campos – O Podemos tem pré-candidato a presidente, Álvaro Dias, e vai fazer uma chapa proporcional competitiva. Álvaro Dias precisa de um palanque em Pernambuco e se fortalecer no Nordeste. Coloquei o meu nome à disposição do partido para ser candidato a senador. Lançarei, no início do ano, um documento sobre uma nova agenda para o Brasil e Pernambuco para discutir com os pernambucanos, através das redes sociais e em visitas programadas a segmentos sociais. O vento é de mudança, mas precisamos vencer o grande descrédito do povo na política. Esse é o grande desafio, reacender a esperança, vencer o ódio e o medo.
Como enfrentar a grave crise de segurança de Pernambuco?
Campos – Pernambuco vive uma grave crise de segurança, que precisa ser melhor enfrentada com ações policiais, políticas de prevenção, ações sociais, mais oportunidades para a juventude e um combate mais eficaz ao tráfico. Parte dessa política de prevenção está sendo feita pelas Igrejas de diversas matizes e pela sociedade civil. Faltou liderança ao governador na coordenação desse programa de enfrentamento à violência. Os índices de violência são de uma região em guerra. Essa é uma prioridade. Entreguei um documento à Ordem dos Advogados do Brasil, que fez um relatório contribuindo com diagnósticos e sugestões sobre o tema ao executivo e a sociedade. O governo Paulo Câmara destruiu o Pacto Pela Vida e não é um governo de continuidade e destrói o legado de Eduardo Campos. Precisamos recriar o cenário político do pós-Eduardo Campos, esse grande líder que soube unir os pernambucanos, que respeitamos e nos inspira a fazer a verdadeira política.
Quais as outras prioridades no Estado?
Campos – A educação é uma prioridade, que deve ser a plataforma de desenvolvimento social e a força matriz transformadora. Na saúde, constatamos situação precária de atendimento em emergências como a do Hospital Regional do Agreste (Caruaru), Dom Malan (Petrolina), entre outros; falta de medicamentos nas farmácias do Lafepe, entre outros problemas. Pernambuco precisa de ações urgentes na área hídrica, de energia e de mobilidade. Pernambuco, que vive um outro momento econômico, precisa refazer o seu plano estratégico de desenvolvimento, devendo ser a economia criativa, com tecnologia, turismo, cultura, entre outros itens dessa economia da era do conhecimento, um dos eixos desse novo plano para Pernambuco voltar a ter o protagonismo do Nordeste, que perdeu ante a falta de um líder.
Pernambuco se encontra em um estado de equilíbrio fiscal?
Campos – Pernambuco vive um quadro preocupante de equilíbrio fiscal, que fez com que sua nota fosse rebaixada para nível “C”, perdendo o direito de aval da União para novos empréstimos. O Estado está paralisado, estagnado. Estamos na 10ª posição no PIB nacional e com taxa de desemprego recorde de 17,9%, segundo dados do IBGE. Mais de 1547 obras inacabadas, segundo dados do TCE. Dentre elas, importantes obras hídricas e de infraestrutura. Há informações que Pernambuco tem quase 1 bilhão de débitos com fornecedores, entre outros débitos correntes. O governador virou um chefe de departamento de pessoal que comemora pagar quase em dia o funcionalismo do Estado, mas que não dialoga de forma democrática com as categorias funcionais e a sociedade civil. Quando o faz é através de terceiros.
Como enxerga o futuro?
Campos – Sou um realista esperançoso. Quero dar uma contribuição nesse momento desafiador da vida nacional e de Pernambuco, através de ações e no debate das ideias. Como disse Dante, em sua genial “A Divina Comédia”, o inferno está cheio daqueles que se mantiveram neutros e inertes em tempos de crise moral. Por isso, assim como lutei em 2014, com Eduardo e Marina, mais uma vez estou na luta apoiando uma candidatura a presidente e contribuindo com a oposição, em Pernambuco, para que se viabilize uma força que volte a levar Pernambuco a dias melhores e ao protagonismo que merece.

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